“O erro ocorre porque os sintomas de depressão em pessoas na terceira idade são muito diferentes dos apresentados entre a população mais jovem”, disse o psiquiatra Fernando Gazalle à Agência FAPESP. Autor do artigo Sintomas depressivos e fatores associados em população idosa no sul do Brasil, Gazalle afirma que a depressão é bastante difícil de ser mensurada já que seu quadro é composto por sinais que traduzem sentimentos de diferentes intensidades. Disposto a determinar a freqüência de alguns sintomas da doença em idosos moradores do município de Pelotas, Gazalle, que fez seu estudo na Universidade Federal de Pelotas, elaborou um questionário inédito na literatura médica. A partir de um levantamento censitário foram entrevistas 583 pessoas das 612 possíveis, sendo o percentual de perdas e recusas de 4,7%. Os entrevistadores quiseram saber se no mês anterior à pesquisa os idosos da cidade sentiram, durante a maior parte do tempo, tristeza, ansiedade, perda de energia, dificuldade para dormir, tiveram “ruminações” sobre o passado – como os pesquisadores denominaram a atitude de relembrar episódios da vida –, falta de disposição no cotidiano ou acharam que os familiares davam menos importância às suas opiniões do que quando eram mais jovens. A pesquisa também levou em consideração variáveis como sexo, idade, situação conjugal, escolaridade, envolvimento em atividades remunerada, comunitária ou esportiva e morte de familiar próximo nos últimos anos. |
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