domingo, 30 de janeiro de 2011

Alguns cuidados que o paciente deve ter com a fístula de Hemodiálise

A fístula de hemodiálise consiste em uma ligação entre uma artéria e uma veia através de uma pequena cirurgia. Esta ligação permitirá a colocação de duas agulhas por onde o sangue sairá para o dialisador e depois será devolvido para a pessoa.

Quais são os cuidados com a fístula?
Para manter uma boa fístula: mantenha o braço da fístula bem limpo, lavando sempre com água e sabonete. Isto evita infecção que podem inutilizar a fístula. Qualquer sinal de inchaço ou vermelhidão deve ser comunicado imediatamente ao médico ou a enfermeira. Faça exercícios com a mão e o braço onde está localizada a fístula, isto faz com que os músculos do braço ajudem no fortalecimento da fístula. Evite carregar pesos ou dormir sobre o braço onde está a fístula, pois a pressão sobre ela pode interromper o fluxo de sangue.

O que mais se deve fazer para cuidar da fístula?
Não permita as verificações de pressão arterial no braço onde está localizada a fístula, pois o fluxo de sangue pode ser interrompido. Não permita a retirada de sangue ou o uso de medicamentos nas veias do braço da fístula a não ser que seu médico autorize. Caso aconteçam manchas roxas após a utilização da fístula, use compressa de gelo, no dia em que isso ocorreu e água morna nos dias seguintes, conforme orientação médica e da enfermeira.

Como prevenir complicações na fístula?
É sempre bom evitar que as punções para a hemodiálise sejam repetidas em um mesmo local da fístula, para que não se formem cicatrizes que dificultem as próximas punções. Ter o hábito de palpar seu pulso na região da fístula para sentir o fluxo de sangue passando. Caso perceba que o fluxo está muito fraco, diferente do costumeiro ou que parou completamente, procure auxílio médico imediatamente, pois este é um sinal de mau funcionamento ou perda da fístula.

Que cuidados devo tomar com o Cateter de Duplo Lúmen?

 

Com o Cateter de Duplo Lúmen, os cuidados são ainda maiores do que os da fístula. O curativo não deve ser molhado. No banho, ele deve ser coberto com plástico e preso com fitas. Os banhos de mar e os da piscina são proibidos, por causa do risco de infecção.

Por que é preferível a Fístula ao Cateter de Duplo Lúmen?

Se um paciente tem um cateter, em vez de uma fístula, a conexão com a máquina é feita por meio desse cateter. Neste caso, agulhas e a fístula não são necessárias.
Pode parecer uma maneira excelente de evitar as agulhas, mas cateteres de diálise costumam apresentar infecções, levam a uma diálise menos eficaz. Eles costumam obstruir e danificar os vasos sanguíneos.
Além disso, os cateteres não duram tanto quanto uma fístula ou um enxerto. Por esses motivos, os médicos sempre preferem a fístula artériovenosa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ASSOCIAÇÃO DE RENAIS CRÔNICOS TRANSPLATADOS E DOADORES - PB

Santa Rita, 25 de janeiro de 2011

COMUNICADO III

Aos Transplantados
Aos Profissionais da Área de Nefrologia

Hoje pela manhã, estive no CEDMEX. Há CICLOSPORINA 25mg em pouca quantidade. À tarde liguei duas vezes para o Ambulatório, que informou não haver o medicamento citado. Em seguida, liguei duas vezes para o CEDMEX. Falei com D. Penha, da Farmácia. Ela reafirmou que há o referido medicamento, porém em pouca quantidade. Por isso, sugeriu que ainda hoje usuários de CICLOSPORINA 25mg fossem ao CEDMEX. Como retornei tarde de João Pessoa, qualquer iniciativa só pode ser tomada amanhã.
Proponho que liguem antes de ir ao CEDMEX: 3214 2627

Para servi-los,

Antonio Heliton de Santana
Presidente

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O cirurgião que encontrou a Jesus NO CORAÇÃO DE UMA CRIANÇA

-Amanhã de manhã eu vou abrir o teu coração. Explicava o cirurgião para uma criança.

E a criança o interrompeu:

-Você encontrará Jesus ali?

O cirurgião olhou para ela, e continuou:

-Eu vou cortar uma parede do teu coração para ver o dano completo.

-Mas quando você abrir o meu coração, encontrará Jesus lá? A criança voltou a interrompê-lo.

O cirurgião se voltou para os pais, que estavam sentados em silêncio.

-Quando eu tiver visto todo o dano causado, planejaremos o que fazer em seguida, ainda com teu coração aberto.

-Mas você encontrará Jesus em meu coração? A Bíblia diz claramente que Ele mora ali. Todos que acreditam Nele dizem que Ele vive ali...
Então você vai encontrá-lo no meu coração!

O cirurgião pensou que era suficiente e lhe explicou:

-Após a operação, te direi o que encontrei em teu coração, de acordo?
Eu tenho certeza que encontrarei músculo cardíaco danificado, baixa resposta de glóbulos vermelhos, e fraqueza nas paredes e vasos. E, além disso, eu vou concluir se posso te ajudar ou não.

-Mas você encontrará Jesus ali também? É sua casa, Ele vive ali, sempre está comigo.

O cirurgião não tolerou mais os comentários insistentes e se foi. Em seguida, ele se sentou em seu consultório e começou a gravar seus estudos prévios para a cirurgia: aorta danificada, veia pulmonar deteriorada, degeneração muscular cardíaca massiva. Sem possibilidades de transplante, dificilmente curável.

Terapia: analgésicos e repouso absoluto.

Prognóstico: fez uma pausa e em tom triste disse:

-Morte nos primeiros anos de vida.

Então, parou o gravador.

Mas tenho algo a mais a dizer:

-Por quê? Perguntou em voz alta.

Por que acontecer isso com ela? O Senhor a colocou aqui, nessa dor e já a havia condenado a uma morte precoce. Por quê?

De repente, Deus, nosso Criador respondeu:

O menino, minha ovelha já não pertencerá a teu rebanho, porque ele é parte de mim e comigo estará por toda a eternidade. Aqui no céu, em meu rebanho sagrado, já não terá nenhuma dor, será consolado de uma forma inimaginável para ti ou para qualquer outra pessoa. Seus pais, um dia, se unirão com ele, conhecerão a paz e a harmonia juntos em meu reino e meu rebanho sagrado continuará crescendo.

O cirurgião começou a chorar muito, mas sentiu ainda mais raiva, não entendia as razões. E replicou:

-Tú criastes este menino, e também seu coração para quê? Para que morresse em poucos meses?

O Senhor lhe respondeu:

-Porque é tempo de regressar ao seu rebanho, sua missão na terra já se cumpriu. Há alguns anos atrás enviei uma ovelha minha com dom de médico para que ajudasse a seus irmãos, mas com tantos conhecimentos na ciência se esqueceu de seu Criador.
Então enviei outra de minhas ovelhas, o menino enfermo, não para perdê-lo, e sim para que a ovelha perdida há tanto tempo, com dotes de médico volte para mim.

Então o cirurgião chorou e chorou inconsolavelmente.

Dias depois, após a cirurgia, o médico sentou-se ao lado da cama do menino, enquanto seus pais estavam a frente do médico.

O menino acordou e murmurando rapidamente perguntou:

-Abriu meu coração?

-Sim. Disse o cirurgião.

-O que encontrou? Perguntou o menino.

Tinha razão, reencontrei Jesus ali.

Deus tem muitas maneiras diferentes para que você volte para o seu lado.

Leia esta mensagem até o final.

Eu quase apaguei esta mensagem, mas fui abençoado quando cheguei ao final.

Assunto: Leia somente se tem tempo para Deus.

Deus, quando recebi esta mensagem pensei... Eu não tenho tempo para isto... e realmente é inoportuno durante o horário de trabalho. Logo, eu percebi que ao pensar assim é exatamente o que tem causado muitos dos problemas em nosso mundo atual. Buscamos ter a Deus só na igreja aos domingos de manhã. Às vezes, talvez um domingo à noite... Sim, nós gostamos de tê-lo na doença... e, sobretudo, nos funerais. Mas, não temos tempo, o lugar para Ele nas horas de trabalho ou em nosso tempo livre... Porque .... Isso é na parte de nossas vidas em que pensamos: "Nós podemos e devemos controlar sozinhos"
Que Deus me perdoe por haver pensado que não há um tempo e lugar onde Ele não seja o PRIMEIRO em minha vida. Devemos sempre ter tempo para lembrar TUDO o que Ele fez e faz por nós. Jesus disse: "Se tú tem vergonha de mim, eu me envergonharei de ti diante de meu Pai".

Então me ajoelhei para orar, mas não por muito tempo, tinha muito para fazer. Tive que apressar-me e ir trabalhar já que as cobranças logo estariam diante de mim. Dei um salto e meu dever cristão estava concluído.

Minha alma pode então descansar em paz. Em todo o dia não tive tempo de falar uma palavra de encorajamento, nem de falar de Jesus aos meus amigos; iriam rir de mim e eu ficaria com medo. Não há tempo, não há tempo. Há muito o que fazer. Esse era a minha reclamação constante. Não há tempo para dar-lhe as almas necessitadas, só na última hora, a hora da morte. Então parei em pé diante do Senhor, o vi e permaneci de cabeça baixa, já que em Suas mãos ele segurava um livro, o livro da vida. Deus deu uma olhada no seu livro e disse: 'Não posso encontrar o teu nome, uma vez estive a ponto de anotá-lo, mas nunca encontrei o tempo

Doppler Colorido

LEMBRE-SE
O DOPPLER COLORIDO DEVE SER FEITO DE 6 EM 6 MESES, PARA MANUTENÇÃO DA FÍSTULA

O Doppler Colorido é uma ultra-sonografia colorida, exame utilizado para avaliar a qualidade do fluxo sangüíneo nos diferentes vasos do corpo. É o método mais rico e preciso no diagnóstico de diversas patologias vasculares. Não utiliza irradiações, podendo ser aplicado em mulheres grávidas sem nenhum prejuízo ao feto. O Doppler Colorido pode ser feito no pescoço, pernas e braços. Pode também ser aplicado na placenta e vasos umbilicais durante a gestação.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nefropatia Diabética e insuficiência renal

A carambola ganhou destaque não por seu aroma delicioso, sabor característico, beleza exótica, ou por suas qualidades nutricionais, mas sim pela sua proibição decretada por lei a todos os portadores de insuficiência renal seja em tratamento conservador ou dialítico.

O motivo é a presença de um composto neurotóxico (que atua no sistema nervoso) na fruta que provoca intoxicação a este grupo de pessoas.

A lei 4.152 passou a vigorar em março do ano de 2008 e obriga todos os estabelecimentos de saúde, além de bares, restaurantes e comércios de alimentos a afixarem em lugar visível um cartaz alertando o público em geral, principalmente os portadores da doença renal sobre a toxidade da fruta.

Também proíbe o consumo da mesma, em qualquer forma de preparo, por estes pacientes (sucos, compotas e etc). O estabelecimento que não cumprir a lei estará sujeito a multa de R$500,00. O autor da lei baseou-se em estudos científicos.

Em 1996 a USP de Ribeirão Preto iniciou uma pesquisa e descobriu que a carambola possui uma toxina que atua no sistema nervoso, levando os pacientes renais a intoxicação com sintomas que variam desde crises de soluços, vômitos, convulsões, dentre outros e em casos mais avançados ou crônicos da insuficiência pode levar até a morte.

A carambola é um fruto de cor amarela, de polpa macia e pouco calórico, fonte de provitamina A (caroteno), vitamina C e rica também em potássio.

A intoxicação em pacientes renais acontece porque o rim não consegue exercer sua função de filtragem adequada do sangue, dessa forma a toxina bem como o potássio presentes na fruta ficam acumulados no organismo por não serem eliminados pela urina.

O excesso de potássio também não faz bem para o paciente renal e da mesma forma trazem conseqüências. Entre os sintomas do excesso de potássio citam-se: cefaléia, distúrbios cerebrais de consciência e cognitivos (conhecimentos), convulsões, arritmias cardíacas, dentre outros. No caso específico da toxina, esta se concentra no sangue, atinge os neurônios e provoca os sintomas já mencionados. Dessa forma há a necessidade de se realizar a hemodiálise para purificar o sangue.

Outra curiosidade que esta fruta possui é que dentre as suas variedades, as maiores e mais coloridas têm menos toxina, já as mais ácidas têm mais toxina e não bicham. Isto porque, esta segunda espécie, utiliza-se da própria toxina para defender sua árvore e seus frutos do ataque das moscas e insetos, funcionando como um inseticida biológico natural.

Vale ressaltar que a carambola só faz mal as pessoas que tenham insuficiência renal, lembrando que portadores de diabetes e hipertensão arterial, que por ventura apresentem lesão renal, também devem evitá-la para não sobrecarregar os rins.

Naturalmente, esta e outras advertências têm sido realizadas por médicos e nutricionistas a seus pacientes nos consultórios, mas sempre é válida ações dessa natureza que visam a prevenção, a saúde e o bem estar da população.

O que é cólica renal



Ao contrário da cólica menstrual, a cólica renal pode ocorrer tanto nos homens como nas mulheres, pois sua origem não tem relação com o ciclo menstrual, mas sim com a obstrução da urina por cálculos (ou pedras como são mais conhecidas) presentes nos rins ou no ureter.
A cólica renal é uma das dores mais intensas existentes na medicina, é caracterizada por intensas dores lombares que irradiam para o abdômen ou para baixo na região dos órgãos genitais.Sintomas urinários como ardência e micção freqüente também podem ser característicos, freqüentemente cólicas renais podem vir acompanhadas de vômitos e náuseas.
A dilatação do rim, decorrente da obstrução da urina é devida às pedras, que por sua vez são originadas através da saturação de sais, cálcio, ácido úrico e fosfatos na urina.Outras causas da cólica renal podem ser também a presença de coágulos, tumores, ou ligaduras cirúrgicas do ureter. Se você sofre com sintomas iguais ou semelhantes aos descritos acima, procure um médico e confirme seu diagnóstico.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dieta Saudável

Convivendo com o Diabetes - Pfizer

DOENÇA RENAL

Os rins possuem como uma das principais funções filtrar o sangue para formar a urina e manter o equilíbrio eletrolítico e ácido básico, por meio da eliminação dos produtos residuais. A Doença Renal Crônica (DRC) se caracteriza pela perda progressiva e irreversível da função renal a partir de uma doença ou após uma insuficiência renal aguda 1.
A DRC é uma doença de elevada morbidade e mortalidade. A incidência e a prevalência da DRC aumentam progressivamente, a cada ano, em proporções epidêmicas, no Brasil e no mundo. O custo elevado (R$ 1,7 bilhões em 2009) para manter pacientes em Tratamento Renal Substitutivo (TRS) é motivo de grande preocupação dos órgãos governamentais, que subsidiam 95% desse tratamento 2.
A perda progressiva da filtração glomerular pode ser avaliada clinicamente pela medida da depuração de creatinina em urina de 24 horas ou pelo cálculo por meio da fórmula de Cockcroft-Gault a partir da creatinina sanguínea. Em indivíduos normais a filtração glomerular é da varia de 110 a 120 ml/min e correspondente à função de filtração de cerca de 2.000.000 de néfrons (glomérulos e túbulos renais). Em pacientes com DRC a filtração se reduz gradativamente até 10 ou 5 ml/min se a terapia renal substitutiva (tratamento dialítico ou o transplante renal) se faz necessária 3,4.
A conseqüência bioquímica dessa redução de função se traduz pela retenção, no organismo, de um sem--número de solutos tóxicos, geralmente provenientes do metabolismo protéico, que podem ser avaliados indiretamente pelas dosagens da uréia e da creatinina plasmáticas, que se elevam progressivamente 5. Com a queda progressiva da taxa de filtração glomerular e a conseqüente perda das funções regulatórias, excretórias e endócrinas, pode ocorrer o comprometimento de todos os outros órgãos do organismo. A extensão da falência renal e, conseqüentemente, de suas co-morbidades é avaliada pelo dano renal e pela estimativa da Taxa de Filtração Glomerular  (TFG), se esta for inferior a 60 ml/min por um período maior ou igual a três meses 6.
Desta forma, segundo a TFG, a DRC é dividida em cinco estágios. Os estágios de 1 a 4 (usualmente com TFG de 60 a 15 ml/min) correspondem ao tratamento conservador, e no estágio 5 (TFG < 15 ml/min) geralmente o paciente é direcionado à TRS, seja diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante renal 6, 7.
A importância da terapia nutricional no tratamento de pacientes com DRC é reconhecida há várias décadas. Mas, somente recentemente o papel do acompanhamento nutricional adquiriu conotação mais ampla. Atualmente a intervenção dietética não apenas visa ao controle da sintomatologia urêmica e dos distúrbios hidroeletrolíticos, mas atua em doenças correlatas como o hiperparatireoidismo secundário, a desnutrição energético-proteica e nas várias alterações  metabólicas que esses pacientes apresentam 8.
Dessa forma, os objetivos da terapia nutricional na progressão da DRC são reduzir a toxicidade urêmica, retardar a progressão da doença e prevenir a desnutrição. A avaliação e o manejo cuidadosos são essenciais para garantir o máximo de retardo da progressão da doença, ao mesmo tempo em que asseguram o estado nutricional adequado dos pacientes 9.
A principal manipulação dietética que atinge a maior parte dos objetivos da terapia nutricional é a  restrição de proteínas. Há muito se reconhece que uma dieta hipoprotéica pode melhorar os sintomas urêmicos e prevenir ou tratar muitas das complicações da DRC, a hipertensão arterial, a osteodistrofia renal, o hiperparatiroidismo secundário, a acidose metabólica, a intolerância a glicose, a hipercalemia e outros distúrbios eletrolíticos. Esses benefícios se devem não somente  pela diminuição na produção de compostos nitrogenados tóxicos, como também pela redução concomitante na ingestão de outras substâncias potencialmente tóxicas como ácidos, sulfatos, fosfatos, sódio e potássio, responsáveis pelas complicações citadas 8, 10.
Estudos clínicos e de meta-análise evidenciam o beneficio da restrição de proteínas, seja sob o  ritmo de progressão, seja sob a sintomatologia urêmica. Essa manipulação dietética reduz o risco  de morte e prolonga o tempo para entrada em diálise se comparada à dieta não restrita em proteína. Além disso, pacientes renais crônicos nessa fase, assim como indivíduos saudáveis, são capazes de ativar mecanismos adaptativos que possibilitam a manutenção do balanço nitrogenado do estado nutricional mesmo com uma ingestão mais reduzida em proteína, desde que as  necessidades  de energia sejam alcançadas. Em algumas situações, porém, essa adaptação metabólica pode ser prejudicada e cuidados devem ser tomados para corrigir as anormalidades 8.
Assim, para evitar um balanço nitrogenado negativo, um aporte energético adequado é necessário,
e recomenda-se, ingerir pelo menos 60% de proteínas de alto valor biológico 10.
Na fase pré-dialítica, de forma geral, a quantidade de proteínas que deve ser administrada está em torno de 0,6-0,8 g/kg/dia, pois quantidades menores não garantem um balanço nitrogenado neutro ou positivo. As proteínas de alto valor biológico, em geral, são de origem animal (carnes e clara de ovo), pois as de origem vegetal como verduras, legumes e frutas são de baixo valor biológico. Este fato traz uma série de dificuldades para orientação de pacientes vegetarianos.
O leite, por sua vez, embora rico em aminoácidos essenciais contém fósforo em elevadas quantidades podendo ser prejudicial para pacientes com hiperfosfatemia. Concomitantemente deve-se garantir uma ingestão calórica suficiente (35 kcal/kg/dia), o que pode ser feito à custa de gorduras e hidratos de carbono que não contenham proteínas (açúcar, mel, goiabada, marmelada etc.) 5.
Os pacientes em hemodiálise freqüentemente apresentam distúrbios nutricionais, pois a DRC pode causar distúrbios no metabolismo, absorção e excreção de nutrientes, devido às restrições inerentes à doença e às perdas durante o processo dialítico e, ainda, pelos efeitos adversos dos medicamentos utilizados, prejudicando assim o estado nutricional do indivíduo 11.
O consumo de alimentos nesta fase de tratamento é muitas vezes diminuído em resposta a diversos fatores, tais como anorexia, provocada principalmente pela uremia, utilização de medicamentos, depressão psicológica, doenças intercorrentes, distúrbios gastrointestinais, restrições no consumo de líquidos e de minerais, entre outros 12.
Na fase dialítica a alimentação deve conter todos os grupos alimentares, de modo que a proteína seja controlada (1,2 g/kg/dia) e o carboidrato contribua com grande parte de energia, sendo preferivelmente complexo. A restrição de sódio deve ser analisada com muita cautela considerando a pressão arterial e o ganho ponderal interdialítico. A baixa ou a elevada ingestão de potássio pode ocasionar arritmias cárdicas, devendo este ser muito bem controlado, considerando fatores que interferem com nível plasmático de potássio como função renal residual, acidose, medicamentos, eficácia da diálise, obstipação intestinal e utilização deste eletrólito nas soluções dialíticas. O fósforo, que não é eficientemente removido durante a hemodiálise, possui importância, pois em excesso pode ocasionar hiperfosfatemia, devendo muitas vezes fazer uso concomitante de quelantes 13.
Desta maneira, a intervenção dietoterápica bem como o tratamento hemodialítico podem controlar ou prevenir a maioria dos distúrbios metabólicos manifestados e são essenciais para o gerenciamento da doença e para a qualidade de vida do doente renal 10, 14.
Os indivíduos com DRC possuem limitações em relação à alimentação, porém esta deve ser balanceada, conter os nutrientes básicos para o adequado funcionamento do organismo e ser individualizada. Porém o hábito de consumir alguns tipos de alimentos pode apresentar influência ainda maior e diferenciada, como o vegetarianismo. A adoção de dieta vegetariana é associada a diversos benefícios para a saúde da população humana, como baixas concentrações de lipídios séricos, baixos níveis de adiposidade corporal e baixa incidência de mortes por isquemia do miocárdio, diabetes mellitus e certos tipos de câncer, além de maior expectativa de vida. Entretanto, também é objeto de preocupação, na medida em que novos estudos realçam possíveis aspectos prejudiciais à saúde com a prática do vegetarianismo 15, 16, 17.
De acordo com a American Dietetic Association, dietas vegetarianas oferecem determinados  benefícios nutricionais, como a baixa ingestão de gordura saturada e colesterol - ou mesmo a não elevação desses marcadores, se observados em relação ao envelhecimento – a alta ingestão de: carboidratos, fibras dietéticas, magnésio, potássio, folato, antioxidantes (como as vitaminas C e E) e fitoquímicos. Porém, essas dietas também oferecem determinados malefícios nutricionais, de  modo que uma atenção especial deve ser oferecida a alguns nutrientes, como de proteínas (principalmente as de origem animal), vitamina B12, zinco, cálcio e ferro 24.
O vegetarianismo abrange uma ampla variedade de práticas dietéticas com diferentes implicações para a saúde 19, 20. As dietas vegetarianas, por natureza, são ricas em potássio e fósforo devido às hortaliças, aos cereais integrais e às frutas que compõem a dieta, sendo necessária atenção especial a quantidade ingerida desses alimentos, bem como o modo de preparo dos mesmos. Além disso, obter calorias suficientes é especialmente importante, pois estas podem ajudá-lo a poupar proteínas para funções tais como o crescimento e a reparação de tecidos do corpo 21.
Os tipos mais comuns de vegetarianos são:
• Vegan - Alimenta-se apenas de alimentos originários de plantas;
• Lacto-vegetariano - Consome alimentos à base de plantas, de leite e de substitutos do leite;
• Ovo-lacto-vegetariano - Possui uma dieta baseada em alimentos à base de plantas, de ovos, de leite e de derivados do leite;
• Pesco-vegetariano - Inclui também peixes em sua alimentação;
• Semivegetariano - Alimenta-se com qualquer tipo de carne esporadicamente.
Fontes de proteínas para a dieta
Para o vegan as melhores fontes protéicas são derivadas da soja, como tofu, leite de soja, iogurte de soja, proteína de trigo e manteiga de noz (2 colheres ou 28 g/d). Porém, alguns nutrientes como o ferro, o cálcio, o zinco e a vitamina B12 merecem atenção maior para os vegans, pois são basicamente derivados de alimentos de origem animal 22:
Ferro - Cereais enriquecidos com ferro, espinafre, feijão, feijão-fradinho, lentilha, nabo, melaço, pão
de trigo integral, ervilhas, e algumas frutas secas como damascos, ameixas e passas 22;
Cálcio - Cereais enriquecidos, produtos de soja, como tofu, derivados de soja, suco de laranja industrializado fortificado com cálcio e alguns vegetais folhosos verde escuro (couve, nabo e mostarda) 22;
Zinco - Alguns tipos de feijão (feijão branco, feijão e grão de bico), cereais enriquecidos, germe de trigo e sementes de abóbora 22;
Vitamina B12 - Alimentos que foram enriquecidos com vitamina B12, como cereais matinais e bebidas à base de soja, sem ser em alimentos de origem animal 22.
Para o lacto-vegetariano a alimentação deve incluir os produtos citados para os vegans, leite e queijo cottage com pouco sal, ressaltando que o leite e seus substitutos são ricos em fósforo. Para os pacientes em diálise incluem-se duas porções por dia em sua alimentação, e os pacientes em tratamento conservador devem consumir apenas uma porção por dia 23.
Para o ovo-lacto-vegetariano em tratamento dialítico a dieta deve conter, além de todos os alimentos citados para os vegans, duas porções de leite e substitutos por dia e preparações com ovos quatro vezes na semana. Os indivíduos em tratamento conservador devem consumir apenas uma porção de leite diariamente e dois ovos na semana 23.
Para o pesco-vegetariano a preferência deve ser para peixes, como pescada e cação. Peixes defumados e salgados devem ser evitados em conseqüência de serem ricos em sal. A sardinha e o atum também devem ser evitados, tanto em sua forma fresca como enlatados, pois são ricos em fósforo 23.
Para o semivegetariano a inclusão de carnes magras, de carne de frango e carne de peru deve ser realizada na alimentação. Evitar os defumados, os salgados e os embutidos são práticas imprescindíveis. A preferência deve ser os orgânicos ou naturais, pois os demais, em geral, recebem muito sal, respeitando a prescrição de proteínas durante o tratamento conservador 23. Dieta vegetariana para pacientes com Doença Renal Crônica deve possuir, como objetivo, a ingestão de combinações certas de proteínas vegetais, mantendo potássio e fósforo sob controle 23.
O que é insuficiência renal crônica?
Insuficiência renal (doença renal ou IRC, como também pode ser chamada) trata-se de uma lesão renal que leva os rins a funcionarem de forma inadequada.
Como sabemos, os rins são órgãos de nosso corpo muito importantes pois são responsáveis pela eliminação de toxinas e substâncias em concentração muito elevada em nosso corpo, mantendo assim o equilíbrio da concentração de sais minerais, vitaminas e líquidos. Participa também do controle da pressão sangüínea, bem como da formação de novos glóbulos vermelhos, células presentes em nosso sangue muito importantes para o transporte de oxigênio.
Imagine então como fica nosso organismo se este órgão começa a reduzir sua atividade ou mesmo parar. Nada bom, não é? É por isso que a insuficiência renal é um problema tão sério.
Há duas formas da doença: a aguda, que leva a uma parada súbita mas temporária das atividades renais, e a crônica, causada pela lesão renal de forma gradativa e irreversível. Ambos os problemas são bastante delicados, mas hoje vamos estudar como prevenir e tratar a insuficiência renal crônica.
A insuficiência renal crônica leva à degradação das atividades renais de forma quase imperceptível e, por isso, se não for logo diagnosticada e tratada, torna-se um dos problemas de saúde com grande índice de mortalidade atualmente.
Quais as causas ou fatores mais comuns?
Várias são as causas ou fatores que podem levar à insuficiência renal crônica, sendo as mais apontadas:
  • Pessoas com problemas de saúde como diabetes, hipertensão arterial ou doenças cardiovasculares;
  • Pessoas que já sofreram de anemia;
  • Idosos;
  • Existência de pessoas na família com problemas renais;
  • Já ter apresentado (ou ainda apresentar) problemas renais como a nefrite (maior ainda o risco no caso de glomerulonefrite), obstrução das vias urinárias, cálculos renais (“pedras nos rins”), doença de Berger (nefropatia por IgA) ou alterações nos rins (como rim policístico).
Sintomas da insuficiência crônica
No estágio inicial da doença o indivíduo é assintomático, isto é, não demonstra nenhum sintoma que leve à hipótese de apresentar a IRC, o que acaba agravando o problema.
Se a pessoa não tomar ciência dos riscos a que está exposto e começar a se cuidar a fim de prevenir o desenvolvimento da doença, alguns sintomas (problemas causados pela alteração das funções renais) aparecerão posteriormente, como:
  • Noctúria (necessidade de urinar várias vezes durante à noite);
  • Fraqueza;
  • Cansaço;
  • Inchaço em rosto, pés ou pernas;
  • Alterações na urina, como a presença de espuma, mudança em sua cor (passa a ser mais escura ou avermelhada) ou no volume (passa a ser maior ou menor);
  • Dores na região lombar (onde encontram-se os rins);
  • Dores quando urina.
Caso esse indivíduo não busque tratamento logo que comece a perceber tais sintomas, outros mais graves comeam a aparecer, apontando que a doença está evoluindo:
  • Pressão alta;
  • Desenvolvimento de problemas cardiovasculares;
  • Anemia;
  • Alteração nos ossos e nervos;
  • Comprometimento do estado mental;
  • Devido ao acúmulo de substâncias tóxicas (que não foram expelidas, já que as funções renais estão afetadas), o indivíduo pode apresentar perda de apetite, náusea, vômito e inflamação do revestimento da boca, podendo levar à desnutrição e perda de peso;
  • Alterações na pele, como palidez ou “cor de palha” (devido à anemia), coceira e manchas roxas;
  • Diabetes.
Em casos mais avançados (principalmente quando o problema é ignorado e não há acompanhamento médico), podem ocorrer:
  • Falência renal;
  • Acidente vascular cerebral (derrame cerebral ou AVC) ou insuficiência cardíaca devido à hipertensão arterial.
Bem, poderíamos tentar estender ainda mais esta lista de sintomas e conseqüências da IRC, mas acredito que ela já é longa suficiente para deixar-nos bastante preocupados quanto à nossa situação atual, não?
Auto-diagnosticando-se
O primeiro ponto importante na prevenção é saber qual o seu grau de risco de contrair a doença. Para isso, o ABC DA SAÚDE apresenta uma lista de itens que a pessoa pode analisar e compreender qual o seu grau de risco. A lista é a seguinte:
Idade entre 50 e 59 anos
Sim
2
Idade entre 60 e 69 anos
Sim
3
Idade maior que 70 anos
Sim
4
Sou mulher
Sim
1
Tive/tenho anemia
Sim
1
Tenho pressão arterial alta
Sim
1
Sou diabético
Sim
1
Tive um ataque cardíaco ou derrame
Sim
1
Tive/tenho insuficiência cardíaca .
Sim
1
Tenho doenças circulatórias nas pernas
Sim
1
Tenho proteína na urina
Sim
1

Conte a pontuação para cada uma das afirmações que você respondeu com sim.
Se for maior ou igual a quatro, você possui no mínimo 20% de chances de contrair o problema, sendo assim, é interessante que procure um médico (no caso, um nefrologista) e fazer um diagnóstico completo a fim de identificar como estão as suas atividades renais, bem como os riscos de contrair a doença.
Caso a sua pontuação tenha sido de zero a três pontos, os riscos são baixos, mas mesmo assim, é importante que você faça ao menos uma revisão completa de sua saúde ao menos uma vez por ano (principalmente se estiver acima de 20 anos) a fim de conhecer como está o seu organismo tanto quanto às funções renais quanto a outros possíveis problemas de saúde.
Agora, lembre-se de duas coisas: este auto-exame deve ser uma ferramenta para melhor conhecer sua situação atual, mas ele não é válido como um diagnóstico definitivo, sendo assim procure um especialista! E a segunda coisa a lembrar é que a revisão anual deve ser levada de forma séria e portanto ninguém deveria “esquecer-se” disso. Infelizmente muitas pessoas acreditam que isso é algo inútil e por isso, quando finalmente comparecem a um médico, já estão em um estágio muito avançado, o que dificulta e muito o tratamento.
E por falar em tratamento, vamos agora a algumas orientações para a prevenção e tratamento da doença.
Prevenção e Tratamento
Algumas medidas a serem tomadas, tanto na prevenção quanto tratamento de IRC são:
  • Aferição periódica da pressão sangüínea, visando diagnosticar a hipertensão arterial;
  • Controle da hipertensão aterial, por meio de remédios, dieta e exercícios físicos;
  • Exame periódico de glicose no sangue, visando diagnosticar a diabetes;
  • Tratamento da diabetes, por meio de dieta e medicamento adequados;
  • Tratamento de toda e qualquer infecção urinária tão logo os primeiros sintomas apareçam;
  • Prática de exercícios físicos regulares;
  • Evitar fumar;
  • Combater a anemia e a obesidade.
A preocupação com a dieta alimentar deve ser uma constante. Neste caso, algumas recomendações são:
  • Reduzir a ingestão de sal (o que pode levar à hipertensão arterial);
  • Reduzir a ingestão de potássio;
  • Se diabético, buscar uma dieta com restrição de glicose;
  • O consumo de proteínas de origem animal (carne, ovos, leite e derivados) deve ser moderado. Adotar uma dieta hipoprotéica (ou seja, com baixa ingestão de proteínas) é indicada.
Nos casos mais severos de insuficiência renal crônica, o paciente pode precisar submeter-se a um dos seguintes tratamentos:
  • Diálise peritoneal – um cateter é introduzido (permanentemente!) no interior de seu abdômen, por meio do qual será introduzido, periodicamente, um líquido especial a fim de absorver as toxinas e, depois, removido. Este processo pode ser feito em casa (quatro ou cinco vezes ao dia) ou em um hospital em sessões semanais (duração de 16 a 24 horas cada);
  • Hemodiálise – por meio de uma artéria e uma veia do braço do paciente, seu sangue é desviado para um aparelho que, após fazer a filtragem, devolve-o à circulação. São necessárias três sessões semanais, de três a cinco horas cada;
  • Transplante – neste caso, um rim em condições de efetuar suas atividades é transplantado para o órgão de um paciente. Infelizmente, o número de transplantes efetuados é muito menor do que a quantidade de pacientes na fila de espera por um novo órgão.
Bem, diante deste quadro, fica muito mais fácil perceber que “é melhor prevenir que remediar”, pois as conseqüências são muito severas e, repito, irreversíveis!
Os rins são órgãos vitais, ou seja, sem eles não conseguimos sobreviver. Os dois rins juntos normalmente são capazes de filtrar 90 a 125 ml de sangue por minuto, o que significa algo entre 130 e 180 litros por dia. Quando esta função cai para menos de 60 ml/min, estamos diante de um quadro de insuficiência renal. Quando a filtração cai abaixo dos 10-15 ml/min, os rins já não são capazes de desempenhar suas funções mínimas e o paciente precisa entrar em hemodiálise sob o risco de falecer por complicações deste mau funcionamento.

O cálculo da função renal é normalmente feito através da dosagem da creatinina (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?).

Quando os rins não funcionam, todas as toxinas, todo o lixo metabólico produzido pelo funcionamento normal das nossas células e todo o excesso das substâncias que ingerimos, sejam elas sais minerais como fósforo e potássio, ou a própria quantidade de líquidos consumida ao longo do dia, não podem ser eliminadas na urina, acumulando-se inapropriadamente no corpo.

Cinco temas são de elevada importância na dieta do paciente com insuficiência renal em hemodiálise: líquidos, potássio, sal, fósforo e proteínas.

a) Consumo de líquidos

Um dos principais sinais da insuficiência renal terminal é o acúmulo de líquidos, manifestando-se como aumento da pressão arterial e edemas (inchaços) pelo corpo. A imensa maioria dos pacientes que entra em hemodiálise ainda urina, pois a capacidade de excretar água é a última função que o rim perde. Porém, essa excreção é progressivamente menor e em fases terminais não é mais suficiente para eliminar todo o excesso de água consumido ao longo do dia.

Vamos imaginar a seguinte situação: um paciente com insuficiência renal em fase muito avançada consome diariamente 2 litros de água entre líquidos e alimentos (quanto mais pastoso for o alimento, mais água ele contém). Como qualquer pessoa, ele perde naturalmente uma média de 500-600 ml/dia na pele (através da transpiração) e nas fezes.  Devido a doença renal, ele urina apenas 1 litro por dia. Isto pode parecer bastante, mas significa que diariamente ele irá acumular algo próximo de 500 ml de líquídos. Em uma semana serão 3500 ml. Em um mês são 15000 ml ou 15 litros de água.

Por falta de controle no consumo de água, é extremamente comum os doentes entrarem em diálise cheios de edema e com mais de 15 quilos de excesso de líquido (1 litro de água pesa 1 kg).

Conforme passam-se os meses, a tendência é que o paciente em hemodiálise urine cada vez menos, até chegar ao ponto em que mais nenhuma urina é produzida. Neste momento, praticamente todo o líquido consumido permanecerá no corpo até que o mesmo seja retirado pela hemodiálise. Ultrafiltração é o nome que damos a retirada de líquidos durante uma sessão de hemodiálise.

Então como deve ser feito o consumo de água nos pacientes em hemodiálise?

Se o paciente ainda urina, o cálculo do consumo diário deve ser:

- Volume de urina em 24 horas + 500 ml.

Ou seja, o paciente pode consumir a mesma quantidade de líquidos que urina, mais 500 ml, equivalentes as perdas naturais ao longo do dia. Consideramos líquidos: água, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas, sucos, sorvetes, sopa, café, leite, yogurtes etc...

Como todo alimento possui água, ao final do dia ainda haverá sempre um balanço positivo, porém, como a diálise é feita a cada 2 dias, este não é suficiente para causar maiores problemas.

Se o paciente nada urina, o seu consumo ideal deveria ser algo em torno dos 500-600 ml. Na prática isto é muito difícil  porque a dieta ocidental é muito rica em sal, o que desencadeia a sensação de sede e faz com que o paciente procure por água com mais frequência.

No paciente que não urina ou urina muito pouco (menos de 200 ml/dia), todo o líquido que entra, permanece no corpo. Lembre-se: 1 litro de água = 1 kg. Portanto, se o paciente consome 2 litros de água, ele ganhará 2 quilos de peso.

Em geral, indica-se que o paciente não perca mais do que 4% do seu peso em uma sessão de 4 horas de hemodiálise. Isto significa que um paciente de 70 kg não deve ultrafiltrar mais do que 2800 ml. Logo, este é o limite de ganho de peso entre uma sessão e outra.

Sempre sugerimos aos pacientes que tenham um balança em casa para controlar o peso e, consequentemente, o consumo de líquidos.

O excesso de peso e a incapacidade de se atingir o peso seco ao final as sessões de diálise está relacionado a uma maior mortalidade. 90% dos casos de hipertensão em pacientes em hemodiálise estão ligados ao excesso de líquidos (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA)).

A água que entra no corpo e não sai, precisa ir para algum lugar. No começo ela fica dentro dos vasos sanguíneos causando hipertensão. Depois, começa a extravasar e vai para as pernas. Por fim, o excesso de líquidos começa a acometer os pulmões levando a congestão pulmonar e, posteriormente, edema agudo do pulmão.

Como então restringir o consumo de líquidos?

O passo mais importante é limitar o consumo de sal, uma vez que este causa sede e leva o paciente a procurar mais água. Vou falar especificamente do sal mais abaixo.

Algumas dicas:

- Use sempre copos pequenos.
- Evite sopas ou outros alimentos líquidos que levem sal.
- Evite refrigerantes ou outras bebidas ricas em açúcar, pois o excesso deste também causa sede.
- Se houver sede, molhe a boca com frequência, mas sem beber a água
- Chupe pequenas pedras de gelo para aliviar a sede.
- Calcule o líquido permitido em 24h e coloque-o em uma única garrafa. Beba esse volume ao longo do dia.
- Pese-se sempre depois de comer e controle o ganho de peso evitando consumo de líquidos fora das refeições

b) Potássio

O potássio é um sal mineral essencial para o funcionamento das células. Porém, quando em excesso, pode levar a complicações graves, principalmente arritmias cardíacas fatais.

O excesso de potássio no sangue é chamado de hipercalemia (ou hipercaliemia em Portugal)

O potássio está presente em uma grande variedade de alimentos e todo o excesso ingerido é rapidamente  eliminado na urina. Deste modo, os rins mantêm os níveis sanguíneos de potássio dentro de uma faixa restrita
que se situa entre 3,5 a 5 mEq/L. Níveis de potássio acima de 6 mEq/L já são considerados perigosos. Valores acima de 7,5 - 8 mEq/L, se não tratados imediatamente, são incompatíveis com a vida.

Nas pessoas com rins funcionantes esse controle do potássio é feito 24 horas por dia, todos os dias. Nos insuficientes renais crônicos terminais, o único modo de se retirar o excesso é durante as 4 horas de hemodiálise realizadas 3x por semana. Como já se pode imaginar, o risco de hipercalemia é muito grande se não houver um controle na dieta.

Nas clínicas de hemodiálise, uma vez por mês se colhem analises antes do início das sessões. Não é incomum encontrar entre doentes que não fazem controle algum do potássio na dieta, níveis de potássio acima de 6 meq/L. Às vezes, encontramos potássio acima de 7 mEq/L. São pacientes que podem a qualquer momento entrar em parada cardíaca e morrerem subitamente.

Os valores do potássio são a explicação do porquê é perigoso faltar às sessões de hemodiálise.

O grande vilão do potássio são normalmente as frutas, porém, vários outros alimentos contêm potássio em grandes quantidades. O principais são:
A tabela acima não é completa. Existem outros alimentos ricos em potássio como mate e chá preto, por exemplo. Carnes, sejam aves, mamíferos ou peixes, também costumam ter bastante potássio. O ideal é sempre conversar com uma nutricionista experiente em hemodiálise (a maioria das clínicas possui este profissional) para saber a quantidades e a frequência permitidas para cada um desses alimentos.

Dicas para se evitar excesso de potássio na dieta:

- Evite comer mais de 2 peças de frutas por dia. Dê preferência àquelas que possuem baixo teor de potássio, como maçã, uva, pêssego, abacaxi, tangerina e morango.
- Como carboidratos, prefira arroz e massas, porque são pobres em potássio.
- Evite batatas fritas, pois estas são riquíssimas em potássio.
- Descasque e corte os legumes em pedaços. Deixe-os de molho por no mínimo 2 horas em água morna. Use bastante água. Depois, despreze a água e lave-os por alguns segundos em água corrente. Agora pode-se cozinhar os vegetais normalmente. Use novamente bastante água. Este processo ajuda a retirar o potássio dos alimentos.
- Não frite e não coza legumes em panela de pressão, a vapor, ou em microondas. Estes processos aumentam a concentração de potássio nos alimentos.
- Frutas cozidas em água perdem aproximadamente metade do seu potássio.

c) Sódio (sal)

O nosso sal de cozinha comum é composto por cloro e sódio, formando o cloreto de sódio. Toda vez que consumimos muito sal, estamos obrigatoriamente consumindo muito sódio.

A dieta ocidental é riquíssima em sódio. Chegamos a consumir quase 3x a quantidade de sal necessária. O nosso paladar está tão adaptado a comidas salgadas que muitas vezes nem damos conta da quantidade de sódio que ingerimos.

O excesso de sódio na nossa dieta normal é principal fator para o surgimento de doenças cardiovasculares, principalmente a hipertensão. para saber mais sobre as doenças relacionadas ao sal, leia: EFEITOS DO SAL NA PRESSÃO ARTERIAL.

Uma das maneiras do corpo controlar a concentração de sódio no sangue é através dos rins, eliminando o excesso na urina. Mais uma vez o doente com insuficiência renal crônica encontra-se em desvantagem. Se o sal é maléfico para pessoas saudáveis, imaginem para os doentes renais.

Uma pessoa saudável mantém seu sódio sanguíneo ao redor dos 140 mEq/L (136 a 145 mEq/L). O rim através da eliminação de sal e água consegue manter esses níveis sempre estáveis. O paciente com insuficiência renal crônica não consegue eliminar o excesso de sal pela urina, e a única maneira que o corpo encontra para diminuir o sódio sanguíneo é através do estimulo da sede. Bebendo bastante água, o corpo consegue diluir o sódio no sangue, trazendo sua concentração de volta para  níveis normais.

Portanto, além de todas as doenças relacionadas ao sal (hipertensão, infartos, insuficiência cardíaca, AVC etc...), o paciente insuficiente renal crônico que não controla a ingestão de sódio, ainda apresenta extrema dificuldade de controlar seu peso seco, permanecendo sempre com excesso de água e contribuindo ainda mais para as doenças citadas acima.

Quanto menos o paciente urina, menor deve ser seu consumo de sal. A dieta ideal deve ter 2g de sódio ou 5 g de sal (1g de sal = 400mg de sódio) por dia.

Alguns alimentos ricos em sódio:
- Azeitonas
- Bacalhau
- Batata frita
- Beterraba
- Caldos de carne, peixe e legumes
- Comida enlatada
- Enlatados
- Feijão
- Manteigas
- Molhos comerciais (mostarda, ketchup, maionese, molho de tomate, molho shoyo)
- Queijos
- Presuntos
- Salsichas
- Sopas em pacote ou latas.

Praticamente toda comida industrializada é rica em sal, assim como alimentos tipo fast-food.

A alimentação do insuficiente renal deve ser preparada sem sal algum, uma vez que a maioria dos alimentos já possuem sódio naturalmente. Se necessário, depois de pronto, pode-se usar 1 pacotinho de sal (daqueles quadradinhos) que contém 1g de sal por cima da comida.

Existem vários tipos de temperos que podem ser usados para melhorar o gosto dos alimentos sem adição de sal, entre eles, alho, cebolinha, hortelã, orégano, salsa, suco de limão, vinagre, noz-moscada, louro, aipo e outros.

Mais uma vez é importante a orientação da nutricionista para um melhor controle do consumo de sal.

D) Fósforo

A importância do fósforo e do PTH na insuficiência renal crônica é discutida à parte neste texto: INSUFICIÊNCIA RENAL - FÓSFORO, PTH E DOENÇA ÓSSEA

E) Proteínas

Nos pacientes com insuficiência renal crônica em tratamento conservador, ou seja, ainda sem necessidade de diálise, uma dieta rica em proteínas parece estar associado a uma aceleração na perda de função renal. Por isso, indica-se uma restrição no consumo de proteínas por parte deste pacientes.

Naqueles pacientes que já estão em hemodiálise, porém, essa preocupação não faz mais sentido, uma vez que já não há mais função renal para ser perdida. Além disso, este grupo de pacientes é mais propenso a desenvolver desnutrição, o que contra-indica a restrição de proteínas na dieta.

O ideal é dar preferência as proteínas de alto valor biológicos, que são as de origem animal. Proteínas de origem vegetal são de baixo valor biológico, significando que são menos eficazmente utilizadas pelo corpo.

A grande dificuldade em se oferecer as proteínas necessárias para insuficientes renais crônicos está no fato de que, na grande maioria dos casos, alimentos ricos em proteínas também o são em fósforo, cujo consumo deve ser restringido neste grupo.

Mais uma vez, a orientação de um nutricionista é indispensável para um melhor controle do consumo de proteínas.