terça-feira, 17 de julho de 2012


Faltam dois dias para homem fazer transplante de rim em Joinville

Elisiel será o 49º paciente transplantado deste ano
Mariana Pereira | mariana.pereira@an.com.br

Há poucos dias do transplante de rim, a expectativa de Elisiel Silveira só aumenta. Terça, no comecinho da tarde, ele e a irmã Elizia Silveira, que será a doadora do órgão, deram entrada no Hospital Municipal São José, para passar pelos últimos exames antes da cirurgia, que será realizada na sexta-feira.

Com envelopes nas mãos, repletos de exames já realizados, e malas com as roupas necessárias para passar uma pequena temporada no hospital, eles entraram no quarto confiantes. Para Elizia, a recuperação promete ser rápida. Dois dias após a cirurgia, ela deve receber alta.

Já Elisiel deve permanecer hospitalizado por pelo menos duas semanas. Isso porque, para evitar a rejeição do órgão, os médicos ministram imunossupressores, medicamentos que diminuem as defesas do organismo, e essa queda de imunidade sempre aumenta o risco de infecções. Por isso, os próximos dois meses prometem exigir de Elisiel uma série de cuidados especiais com a saúde.

— Durante dois ou três meses, não se recomenda comer nenhum alimento cru, além disso, o paciente deve evitar locais com muita gente, como shows —, orienta a coordenadora do setor de transplantes da Pró-Rim, Luciane Deboni.

Elisiel deve ser o 1.035º paciente a passar por um transplante de rim em Joinville (que realiza a cirurgia de 1978). Será o 49º paciente transplantado deste ano, sendo que faz parte de uma minoria.

Atualmente, menos de 40% dos paciente que passaram por um transplante de rim receberam o órgão de um doador vivo, que precisa ser necessariamente da família (parente de 1º ou 2º grau). Isso, porque nem sempre o doente renal encontra um doador compatível disposto a doar, e nestes casos a solução é aguardar na fila por um transplante de doador cadáver.

Para se ter uma ideia, dos 48 transplantes realizados este ano, 39 pacientes receberam o órgão de um paciente que teve morte cerebral, e 50% de todos os transplantados, como Elisiel, vieram de outro estado para fazer a cirurgia em Joinville, uma das quatro cidades de Santa Catarina a oferecer o procedimento  - Blumenau, Florianópolis e Chapecó também possuem hospitais credenciados para realizar a cirurgia.

Joinville já é o 7º centro mais ativo do país na realização de transplantes de rins, e o único fora de capital. Além disso, ao lado de Blumenau, Joinville está entre as cidades que mais capta órgãos por meio de doação, o que auxilia o Estado a estar no topo do ranking das captações, proporcionalmente ao número de habitantes.

Segundo a coordenadora do setor de transplantes da Pró-Rim, desde 2005, o número de transplantes vem aumentando a cada ano, em cerca de 10% na cidade.

— Ano passado, foram realizados 106 transplantes de rim, e este ano a meta é chegar a 120 —, diz Luciane Deboni. E isso vem diminuindo gradativamente também o tempo de espera por um transplante.

Hoje, 358 pacientes estão na fila do transplante e o tempo de espera é de aproximadamente dois meses.

— Em São Paulo, há mais de 10 mil pessoas na lista e o tempo médio de espera é de cinco anos, e a mortalidade entre pacientes que estão há cinco anos fazendo hemodiálise chega a 50%, por isso a importância de realizar o quanto antes o transplante —, compara a especialista.